Segunda mulher a subir ao trono de Portugal, D. Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga (Rio de Janeiro, 4.4.1819-Lisboa, 15.11.1853) teve uma existência curta mas muito atribulada. A sua vida ilustra o turbilhão que varreu a Europa e o mundo na primeira metade do século XIX. Nasce no Novo Mundo, filha do herdeiro da coroa portuguesa e 1º imperador do Brasil, D. Pedro (1798-1834) e de uma princesa austríaca, Maria Leopoldina de Habsburgo-Lorena (1797-1826). Passa os primeiros anos da sua existência a absorver o exotismo do Brasil, enformada por uma educação de matriz europeia mas sensível aos desafios da criação da maior nação da América Latina.
Órfã de mãe, rapidamente protagoniza o repto de manter os Bragança no trono do Brasil independente, salvaguardando a coroa portuguesa. O pai acorda o seu consórcio com o tio paterno, o Infante D. Miguel (1802-1866), visando garantir a estabilidade, mas este mesmo acordo ilustra a dificuldade em conciliar as duas facções que disputam os destinos de Portugal.
Priva de perto e constrói uma relação de amizade para a vida com a Princesa Vitória de Kent, futura rainha Vitória (1819-1901).
Chegada a Portugal em 1833, após a vitória dos exércitos liberais comandados por seu pai D. Pedro, conhece as dificuldades de concretização do sonho liberal: as desavenças entre facções marcam um quotidiano de golpes e jogos de bastidores.
Coroada Rainha de Portugal com quinze anos, a morte do pai acelera a necessidade de arranjar noivo conveniente. Após um breve enlace com o Príncipe Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, que morre precocemente (1810-1835), em Abril de 1836 casa com o Príncipe Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha (1816-1885). O casamento resulta em numerosa descendência, principal razão da morte prematura da Rainha, em 1853, quando do 11º parto. O seu corpo jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
Protagonista activa e empenhada na construção de um reino renascido, após uma intensa crise social, económica e política, marcada pela guerra civil, pela independência do Brasil, o fim do Antigo Regime e a implantação do regime constitucional, D. Maria II reconstrói a imagem da monarquia portuguesa. Investe na educação exigente e actualizada dos filhos e mantém ligações privilegiadas com as várias cortes europeias. A sua relação com o Império do Brasil revestiu-se de um envolvimento particular, resultado da profunda ligação pessoal.